domingo, 28 de fevereiro de 2010

Spartacus

 Porque eu rejeito sempre o conceito da importância do individuo em palavras melhores que as minhas:



Foi uma morte sórdida e horrorosa a de Batiatus, o lanista - assassinado pelo seu próprio escravo; e tê-la-ia talvez evitado, bem como muitas outras coisas, se, depois de abortada a exibição dos sois pares, tivesse morto os dois gladiadores sobreviventes. Caso o fizesse, estaria inteiramente dentro dos seus direitos, pois era uma prática aceite matar os gladiadores que se insubordinavam. É pouco provavel, entretanto, que a morte de Spartacus trouxesse grandes modificações à história de Roma. As forças que o impulsionavam ter-se-iam, simplesmente, manifestado noutro lado. Exactamente como as imagens oníricas de Helena, a jovem romana, que estava, tanto tempo depois, mergulhada num sono povoado de sonhos de culpa, em Villa Salaria, não se referiam especificamente a Spartacus, mas ao escravo que empunha a espada, os próprios sonhos do trácio eram menos uma coisa sua do que as recordações sangrentas e esperanças partilhadas por tantos gladiadores, os homens que viviam e morriam pela espada. Esta poderia ser a resposta a dar àqueles que não compreendiam como fora urdida a revolta de Spartacus. Ela não fora urdida por um, mas por muitos.

Howard Fast

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