quarta-feira, 30 de abril de 2008

Injecção 2

Unicamente por causa da desordem crescente

Unicamente por causa da desordem crescente
Nas nossas cidades com as suas lutas de classes
Alguns de nós nestes anos decidimos
Não falar mais dos hgrandes portos, da neve nos telhados, das mulheres,
Do perfume das maçãs maduras na despensa, das impressões da carne,
De tudo o que faz o homem redondo e humano, mas
Falar só da desordem
E portanto ser parciais, secos, enfronhados nos negócios
Da política, e no árido e "indigno" vocabulário
Da economia dialéctica,
Para que esta terrível pesada promiscuidade
Das quedas da neve (elas não são só frias, nós bem o sabemos),
Da exploração, da tentação da carne e da justiça de classes,
Não nos leve à aceitação deste mundo tão diverso
Nem ao prazer das contradições de uma vida tão sangrenta.
Vocês entendem.

Bertolt Brecht

Injecção 1

Elogio do trabalho clandestino

É bonito
Usar da palavra na luta de classes
Clamar alto e bom som pela luta das massas
Pisar os opressores libertar os oprimidos.
Árdua e útil é a pequena tarefa de cada dia
Que secreta e tenaz tece
A rede do partido sob
Os fuzis apontados dos capitalistas:
Falar mas Escondendo o orador.
Vencer mas Escondendo o vencedor.
Morrer mas Dissimulando a morte.
Pela glória, quem não faria grandes coisas?
Mas quem
As faz pelo olvido?
No entanto, o pobre que mal come senta a honra à sua mesa;
Das pequenas cabanas em ruínas
Surge a grandeza irresistivel.
E a glória busca em vão
Os autores do grande feito.
Saí da sombra por um momento
Rostos anónimos, dissimulados, e aceitai
O nosso agradecimento.

Bertolt Brecht

Boas Festas

Foi ainda esta sexta feira que tivemos esta discussão. E eu mantenho: boas festas! E se preferes dar os parabéns ao teu Cristo e celebrar a inutilidade do teu próximo ano, pois fá-lo. Não me podes é impedir de repetir: boas festas.
Posso até aceitar que aches que o teu Deus fez mais pelo Mundo que todos os homens que alguma vez viveram e alguma vez viverão. Perdoa-me, pelo menos, que te injecte Brecht como me injectarias o cheiro dos bolos do teu Natal, e deixa-me cantar Grândola vila moreeena, terra daa fraternidaaade porque aí, ganho sem dúvida ao jingle bells.
Eva
( Por favor, Brech, você que é um perito na matéria dê a sua opinião.
Este homem é um I. Nada mais.) Bertolt Brech

A opera do malandro

Inspirada na Opera dos Três Vinténs de Bertolt Brecht e simplesmente genial

















O malandro/Na dureza Senta à mesa/Do café Bebe um gole/De cachaça Acha graça/E dá no pé O garçom/No prejuízo Sem sorriso/Sem freguês De passagem/Pela caixa Dá uma baixa/No português O galego/Acha estranho Que o seu ganho/Tá um horror Pega o lápis/Soma os canos Passa os danos/Pro distribuidor Mas o frete/Vê que ao todo Há engodo/Nos papéis E pra cima/Do alambique Dá um trambique/De cem mil réis O usineiro/Nessa luta Grita(ponte que partiu) Não é idiota/Trunca a nota Lesa o Brasil/Do Brasil Nosso banco/Tá cotado No mercado/Exterior Então taxa/A cachaça A um preço/Assustador Mas os ianques/Com seus tanques Têm bem mais o/Que fazer E proíbem/Os soldados Aliados/De beber A cachaça/Tá parada Rejeitada/No barril O alambique/Tem chilique Contra o Brasil/Do Brasil O usineiro/Faz barulho Com orgulho/De produtor Mas a sua/Raiva cega Descarrega/No carregador Este chega/Pro galego Nega arrego/Cobra mais A cachaça/Tá de graça Mas o frete/Como é que faz? O galego/Tá apertado Pro seu lado/Não tá bom Então deixa/Congelada A mesada/Do garçom O garçom vê/Um malandro Sai gritando/Pega ladrão E o malandro/Autuado É julgado e condenado culpado Pela situação