terça-feira, 13 de julho de 2010

Três de Álvaro de Campos - DOIS

Sim, é claro,
O universo é negro, sobretudo de noite,
Mas eu sou como toda a gente,
Não tenha eu dores de dentes nem calos e as outras dores passam.
Com as outras dores fazem-se versos.
Com as que doem, grita-se


A constituição íntima da poesia
Ajuda muito...
(Como analgésico serve para as dores da alma, que são fracas...)
Deixem-se dormir.

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