Da velhice
sempre invejei
o adormecer
no meio de conversa.
Esse descer de pálpebra
não é nem idade nem cansaço.
Fazer da palavra um embalo
é o mais puro e apurado
senso da poesia.
Recuso o leito.
Quero dormir
onde não tenha cabimento.
O problema da cama
é que, tal como no caixão,
ganhamos o tamanho da tábua.
Para sonhar,
prefiro o inteiro chão.
Tenho a sede
do embondeiro:
ao invés de beber,
eu engulo o chão inteiro.
Olhou a paisagem
e seus infinitos.
Depois de inspirar fundo,
perguntou:
- A imagem está óptima.
Mas, não tem legendas?
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