"É possivel que o senhor tenha querido punir a curiosidade como se se tratasse de um pecado mortal, mas isso também não abona muito a favor da sua inteligência, veja-se o que sucedeu com a árvore do bem e do mal, se eva não tivesse dado o fruto a comer a adão, se não o tivesse comido ela também, ainda estariam no jardim do éden, com o aborrecimento que aquilo era."
Não sei. Para começar, não me parece que acrescente nada ao Evangelho Segundo Jesus Cristo. Afinal, criticar o Velho testamento não só é mais comum, como chega até a ser fácil. Sim, deus era bastante antipático nesses tempos, eu pensava até que não era um assunto bastante polémico, mas até um facto adquirido. O senhor realmente propôs a Abrãao que matasse o filho, o que não cria bom ambiente em nenhuma família; incendiou sem piedade todos os homossexuais, o que, convenhamos, não é nada politicamente correcto; e acabou por afogar toda a Humanidade menos oito. Escrevendo direito por linhas tortas ou não, é óbvio que ficou bastante mais simpático desde que apareceu o filho. Parece-me, portanto, que o quão mau e injusto deus aparece no Antigo Testamento não é, de maneira nenhuma, aquilo que tem que ser criticado.Não só é uma discussão que já se teve tantas vezes, mas também porque a Igreja já mudou a sua interpretação do texto para que se adeqúe aos tempos de hoje. A falar são as coisas que ainda não mudaram ou cuja interpretação metafórica, embora politicamente correcta, é repugnante que chegue para que se tente sequer escrever livros sobre este assunto! Quais? Vou agora ler a Bíblia, mais tarde terei uma conclusão.
Então, e Caim? É um bom livro, obviamente, que eu ainda duvido que haja muitos escritores vivos melhores do que Saramago. Não é, de maneira nenhuma, um dos melhores dele, mas a gente sabe que as pessoas têm um auge e que, a partir de certa altura da sua vida - e embora a sabedoria adquirida ao longo dos anos e a genialidade de sempre ainda se vejam muito presentes - já não são a mesma coisa. Basta olharmos para os nossos avós.
E ainda outra coisa. Em discussão deste mesmo assunto aprendi uma coisa muito interessante de que não fazia ideia antes (raios partam a minha ignorância religiosa!). Parece que existem na Biblia várias referencias a pecados terríveis, coisas que nenhum homem decente alguma vez faria, que passam por não tocar em animais mortos e cultivar certo tipo de vegetais ao pé de outro certo tipo de vegetais. Aparentemente, é também por uma destas que os judeus não comem porco. São, realmente, coisas que há muito tempo atrás fariam imenso sentido - já se sabe que o porco passa muitas doenças, e que certo tipo de vegetais não se iam dar de todo bem ao pé de outro certo tipo de vegetais - e que eram mais que úteis para o dia a dia das pessoas! Aí sim, deus valia a pena! Claro que agora, o que se faz a essas coisas que foram tão úteis um dia é interpretá-las metafóricamente. Muito bonito, mas porque é que deus que ajudou tão cuidadosamente os antigos não nos oferece agora uma palavrinha ou duas sobre as regras de higiene da gripe a ou nos diz "não deixarás o teu ipod cair na areia?"
"...afinal a continuidade biológica não é tudo, já basta que a mente humana crie e recrie aquilo em que obscuramente acredita."
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